Visitantes
Acompanhamento de visitantes: o que fazer na segunda-feira
Uma igreja de cerca de 180 membros, dois cultos no domingo, onze células, descobriu no relatório anual que havia registrado 64 visitantes ao longo do ano. Dos 64, conseguia confirmar que 5 tinham ficado. Dos outros 59 não havia rastro: não se sabia se tinham ido para outra igreja, se tinham desistido, se alguém sequer havia falado com eles uma segunda vez. O pastor resumiu numa frase que vale mais do que qualquer diagnóstico: "são 59 pessoas que entraram pela nossa porta e não sabemos o que aconteceu com elas". Não foi falta de hospitalidade. A igreja era acolhedora, tinha equipe de recepção, dava boas-vindas do púlpito. O que faltava era a segunda conversa. Este artigo é o que mudaram, e a parte que normalmente não se conta.
O cartão de visitante que vai para a gaveta
O processo era o que a maioria das igrejas tem. O visitante preenchia um cartão na recepção, o cartão ia para a secretaria, a secretaria lançava os dados numa planilha, e a planilha existia.
Repare no verbo: existia. Ninguém era responsável por fazer qualquer coisa com ela.
O padrão se repete em igreja depois de igreja e tem um nome: confundir ter a informação registrada com cuidar das pessoas. São coisas completamente diferentes, e a primeira dá a sensação confortável de que a segunda está resolvida. A planilha crescia, o que parecia progresso. Na verdade só documentava com mais precisão quem se tinha perdido.
O teste para saber se a sua igreja tem este problema não é olhar para o processo de registro. É perguntar: dos visitantes do mês passado, quem falou com cada um, e quando? Se a resposta exigir investigação, o registro não está servindo para nada.
A janela de 72 horas
A primeira mudança foi definir um prazo, e definir um prazo curto.
A regra que adotaram: todo visitante registrado no domingo tem de receber contato de uma pessoa até a terça-feira à noite. Setenta e duas horas.
O prazo curto não é zelo excessivo, é uma observação sobre como funciona a memória. No domingo o visitante ainda tem a experiência fresca: lembra do nome de quem o recebeu, da música, de ter gostado ou não da pregação. Na sexta-feira já é uma coisa que aconteceu na semana passada. E uma mensagem que chega duas semanas depois comunica exatamente o contrário do que pretende: comunica que a igreja demorou duas semanas para notar.
Duas decisões práticas que fizeram o prazo funcionar:
• O registro acontece no domingo, não na segunda. Se o cartão de papel só é digitado na segunda à tarde, já se perdeu um terço da janela. Quem recebe registra na hora, pelo celular. • O contato é de uma pessoa, não da igreja. Uma mensagem assinada por um nome, de preferência de quem efetivamente conversou com o visitante. Não um texto institucional de boas-vindas que qualquer pessoa reconhece como automático.
Atribuir a um nome, e escalar quando o prazo passa
Esta é a parte que faz a diferença entre um processo que funciona e um processo que é só um prazo escrito num documento.
Um sistema de gestão consegue fazer quatro coisas bem: cria o registro, atribui a uma pessoa, lembra essa pessoa no prazo, e avisa quem está acima quando o prazo passa. O que ele não consegue, e nunca vai conseguir, é decidir quem é o responsável. Essa decisão é da liderança, e tem de ser tomada antes de se instalar qualquer coisa.
O que a igreja definiu, e que caberia num cartão:
• Cada visitante é atribuído, no próprio domingo, a uma pessoa da equipe de recepção. Um nome, não "a equipe". • O prazo é terça à noite. • Se passar sem contato registrado, o caso sobe ao pastor na quarta-feira pela manhã. • O resultado registrado é uma linha: falei, não consegui falar, ou quer ser visitado.
A escalada para o pastor é o elemento que parece burocrático e é o que realmente faz o sistema funcionar. Não porque o pastor vá repreender alguém, mas porque um lembrete que ninguém verifica se transforma em ruído em cerca de três semanas. Todos o recebem, ninguém age, e as pessoas deixam de abrir. O lembrete só tem força porque alguém repara quando ele é ignorado.
Começar só pelos visitantes
A igreja tinha dados espalhados por quatro lugares e a tentação óbvia era organizar tudo de uma vez: membros, células, finanças, escalas, visitantes.
Escolheram começar só pelos visitantes, e foi a decisão mais acertada do processo.
O motivo é que visitantes é o único desses domínios onde o resultado aparece em semanas, não em meses. Em um mês já se sabe quantos foram contatados no prazo. Em três meses já se sabe quantos voltaram. Essa evidência rápida é o que faz o resto da liderança aceitar mudar os outros processos, e nenhuma apresentação consegue substituí-la.
Organizar tudo ao mesmo tempo tem o problema oposto: três meses de trabalho de arrumação antes de qualquer benefício visível, e é precisamente nesse vale que os projetos morrem.
O primeiro mês foi feio
Esta é a parte que não aparece em nenhuma demonstração de software, e é a mais útil de saber antes de começar.
No primeiro mês, com o processo a funcionar, ficou visível que mais da metade dos visitantes não estava sendo contatada no prazo. Apareceram nomes de pessoas da equipe de recepção que não tinham feito o contato que lhes tinha sido atribuído. Houve desconforto em reunião. Houve pelo menos uma conversa difícil.
Nada disso era novo. O que era novo é que passou a ser visível. Antes, os visitantes não contatados simplesmente não existiam como informação: não havia lista, não havia prazo, não havia nome associado, e portanto não havia nada que pudesse constar numa reunião.
Convém dizer isso à liderança antes de começar, com estas palavras: no primeiro mês isso vai parecer que piorou. Não piorou. Passou a ser mensurável, e o desconforto é o preço de ver.
A igreja que desiste no segundo mês desiste quase sempre por este motivo, interpretando o desconforto como sinal de que a ferramenta não serve, quando é o sinal de que ela está funcionando.
Onde chegaram em seis meses
Os números, porque são a única parte verificável disso tudo.
Ao fim de seis meses, aproximadamente 85% dos visitantes recebiam contato nas primeiras 72 horas. Não 100%, e vale a pena ser honesto quanto a isso: há domingos com equipe reduzida, há contatos errados, há pessoas que não querem ser contatadas.
E o número que importa mais: 11 pessoas que tinham entrado como visitantes estavam frequentando uma célula seis meses depois. Num ano em que o registro anterior mostrava 5 pessoas mantidas de 64 visitantes, isso é uma mudança de ordem de grandeza.
Nenhum desses números vem de uma funcionalidade. Vêm de três decisões que não exigem software nenhum: um prazo de 72 horas, um nome responsável por cada visitante, e alguém que repara quando o prazo passa. O sistema serve para que essas três coisas não dependam da memória de ninguém, e é só isso que ele faz.
Se há uma coisa a levar daqui, é que o problema dos visitantes quase nunca é de acolhimento e quase sempre de responsabilidade atribuída. A pergunta a fazer na próxima reunião de liderança não é "como acolhemos melhor?", é "dos visitantes de domingo, quem é que liga, e até quando?". Enquanto essa pergunta não tiver um nome e uma data como resposta, qualquer ferramenta vai apenas documentar a perda com mais precisão.